Por Dr. Fco Fabio de Araujo Batista
Provavelmente ainda soa nos ouvidos dos que estavam na audiência pública sobre educação ocorrida na assembléia legislativa; as palavras proferidas pela profª Amanda Gurgel; já que daquele momento em diante, a mesma (e a nossa cidade) foram bastante comentados nacionalmente. Talvez alguns que ali estavam (principalmente os parlamentares) já afeitos a essas audiências; esperavam mais uma encenação corriqueira que em sua grande maioria lembra mais uma peça teatral. No entanto tai, repercutiu em todo país.
Foi uma fala algo raivosa e real, que mostrou ou sinalizou todo o calvário que cerca profissões injustiçadas (professores, policiais e todo pessoal da saúde) como a dela; e que forçosamente obrigam o profissional que a exerce assumir outros trabalhos na tentativa de gerar uma renda mínima que lhe proporcione viver com alguma dignidade. Não há como esquecer situações como: contas atrasadas, medicações de uso continuo; reajustes de gás, luz e água; preço dos combustíveis; colégio; IPTU; e o cansaço acumulado que paulatinamente detona nossas aspirações. Esses problemas nos acompanham diuturnamente atrapalhando inclusive nossa atuação junto aos que por nós esperam e necessitam de nossos préstimos.
Os gestores e representantes dos poderes públicos precisam acordar e verem que os tempos são outros e que quase nada conseguem fazer às escondidas, enfim, tudo se sabe; falo isso porque eles usam daquela velha máxima: “se a farinha é pouco, primeiro no meu pirão”. Como esquecer que no inicio deste ano de 2011, os deputados e vereadores de nossa cidade votaram e elevaram os próprios salários em 60%; como não lembrar que no inicio deste mês de maio os deputados votaram e aprovaram aumento salarial para os funcionários da assembléia legislativa; sabemos serem todos merecedores pela função que cumprem; como também sabemos serem merecedores de reconhecimento: professores, enfermeiros, médicos, policiais; e por ai vai... É isso que o governo, os deputados e representantes do judiciário têm que ver e meditar sobre tal: como cobrar serviço ou negar melhorias ao servidor se para mim e meus pares as correções salariais são fartas e efetivas; com que moral assumir tal ou qual posição se não renuncio a nenhum privilegio a mim ofertado? Não tem como nos dias atuais, se usar “dois pesos e duas medidas”; É isso que o governo tem que ver; esqueçam as obras faraônicas ou de fachada e corrijam as distorções que ocorrem junto ao funcionalismo público. Por falar em obras; quando haverá clima favorável a construção da arena das dunas? Pois nesse caos é quase impossível.
A grande maioria dos servidores ganha menos de R$ 1.500,00 por mês; isso para comprar o necessário e sofrer todo tipo de tentação com ofertas de computadores, telefones de ultima geração, lazer, etc. Muitos que criticam os funcionários ou se fazendo de bonzinhos, pedem piedade e paciência, pois “o governo ainda está arrumando a casa”; deveriam pensar duas vezes antes de trilhar a senda da hipocrisia; por que não renunciaram aos altos índices de correção dos próprios salários votado no inicio do ano? O “antenado” funcionário público do século XXI tem uma visão bastante diferente de tudo está ocorrendo ultimamente; a escolaridade exigida nos concursos talvez tenha formado um segmento de funcionário diferente; que sabe cobrar os seus direitos e quer ter acesso a situações prazerosas ou de lazer (teatros, restaurantes, academia); quer ter mais tempo para dedicar a si e aos seus familiares. Essa loucura de “viver correndo de um bico para outro bico” está com os dias contados; o funcionário quer ser valorizado por aquilo que faz. Portanto esqueçam a pomposa frase: infelizmente atingimos o “limite prudencial”(que só funciona para o funcionário menor); dispam-se de toda hipocrisia e façam acontecer.
Fco Fabio de Araujo Batista. Medico e diretor do SINMED-RN.

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