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18/09/11

Honrar e dignificar, é possível

Por Dr. Fco. Fabio de Araujo

Há algum tempo saímos de uma longa greve no serviço publico (educação) estadual; e outra na saúde publica do município de Parnamirim foi também um período mais que apropriado para os gestores repensarem a política salarial vigente desde a implantação do plano real ainda no primeiro governo do pres. Fernando Henrique. Lembro-me perfeitamente como ficou alto o nosso poder de compra (como funcionários ) logo após o advento do plano real em 1995; é tanto que em 1997/98 tivemos uma paridade em termos de valor com a moeda americana, ou seja, um dólar valia um real; bons tempos para o assalariado. Talvez a partir daí criou-se a ilusão por parte dos governantes e gestores que devido à moeda está forte e a inflação sob controle, não haver mais a necessidade das correções salariais que anualmente contemplavam até então o funcionalismo em geral (publico e privado). Hoje nos vemos reféns desses movimentos classistas que, diga-se de passagem, tem como maior responsável o próprio governo quando não entende da impossibilidade do funcionário trabalhar bem e prestar um bom serviço tendo que fazer algum “bico” para complementar o baixo salário que recebe. Greve é algo que nem o empregador nem o empregado gostam, no entanto na maioria das circunstancias torna-se algo necessário. Mais triste ainda é constatarmos que bem que poderiam ser evitadas essas greves anuais se o governo assim o quisesse; bastava voltar à política salarial de aplicar anualmente a correção dos índices de aumento de produtos essenciais como alimentação, colégio, combustível, IPTU... Perguntamos: qual foi o ano que os deputados e vereadores e o judiciário não tiveram suas correções salariais? Só lembrando, o nosso legislativo estadual e municipal elevaram os seus próprios salários em 60% no inicio deste ano; em relação a esses a conversa é bem diferente. Pois bem, aproximam-se as eleições e todos os pretensos candidatos fazem de tudo para estarem “na mídia”; aparecem “raposas” de todos os matizes, alguns deveriam se envergonhar de acalantar a ilusão de voltar ao poder já que têm o nome respingados pela lama da desonestidade e do desvio de verbas publicas tão necessárias à setores carentes e essenciais como saúde e educação; no entanto estão ai, fazendo o famoso “se colar, colou”; não sabe eles que há muito procuramos pessoas comprometidas com a dignidade humana e não oportunistas e desavergonhados que tentam nos fazer de idiotas. É como se estivéssemos sentenciados a viver debaixo dos caprichos de uma geração de políticos perversos que nunca passa e nem se renova. Temos que nos manter alertas quando o assunto é desvio do fruto do suor alheio (impostos) para grupos ou oligarquias viciadas. Quem não reconhece que professor para honrar o nome de tão bela profissão, tem que ter remuneração digna para estudar e se preparar (e não ser “sacoleira” na ânsia de complementar o orçamento); é necessário comentar que profissões de risco e insalubres como soldados de policia e o pessoal da saúde tem que ter a tranqüilidade e o tempo disponível para servir e socorrer pessoas e que só salário digno proporciona essa tranqüilidade? Talvez tenha chegado o tempo dos governantes valorizarem o seu contingente funcional; ta difícil se encontrar um médico no posto de saúde; eles não aceitam cumprir a carga de trabalho pelo o valor ofertado, isso reflete no aumento da mortalidade materna (pré natais chinfrins) e na sobrecarrega dos chamados grandes hospitais de nossa cidade do Natal. A arrecadação de impostos sobe ano a ano; e sempre ouvimos as mesmas queixas:temos greve na saúde e ou na educação os policiais estão insatisfeitos; o limite prudencial não pode ser ultrapassado... Talvez esteja perto o dia de o povo reconhecer que muitas injurias que lhe são impostas, poderiam ser evitadas se o gestor honrasse o cargo que assume e acima de tudo dignificasse os assistentes diretos da população que são os servidores públicos.

Fco. Fabio de Araujo Batista. Medico plantonista e diretor do SINMED- RN.

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