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09/12/10

Presença de Deus ante os que sofrem!

Por Por Dr. Fco Fábio de Araújo Batista

Presença de Deus ante os que sofrem!

O dezoito de outubro no calendário cristão é dia de são Lucas. Médico, considerado pelas igrejas cristãs; um dos cinco grandes evangelistas. É de sua autoria a descrição do profundo e poético encontro entre Isabel a mãe de João Batista (aquele que se vestia de pele de animais e se alimentava de insetos e mel) que batizava no rio Jordão; e Maria de Nazaré a mãe de Jesus Cristo. Lucas igualmente à Paulo de Tarso, não conheceu pessoalmente famoso crucificado. Portanto, é motivo de alegria e até de orgulho, ver também o dia do Médico, ser comemorado em tão importante data: 18 de outubro.

Apesar de toda evolução da medicina saindo do empirismo da idade antiga até hoje quando a genética e o transplante de orgãos norteiam seus rumos; estranhamente o médico é um profissional em eterno conflito com o meio e consigo mesmo. Amparado por minha pequena experiência de 25 anos nessa atividade e considerando minhas limitações; tento entender esses conflitos. Talvez por haver conhecido a escassez de recursos diagnósticos e terapêuticos vigentes no interior onde vivi; sempre vi na figura do médico, aquela pessoa que ao adentrar um hospital ou mesmo um lar; leva sempre consigo a esperança e a consolação para os que dele necessitam; como também ainda hoje,não tenho como imaginar um médico tratando mal as pessoas ou negando-se a usar seus conhecimentos, quando na urgência seja solicitado .

Em meu ponto de vista, esse seria o perfil ideal de um médico: uma pessoa tranqüila, instruída, asseada e transmissora de paz e confiança. Infelizmente e com pesar, constatamos que por alguns motivos e causas não é esse o profissional que encontramos e que tanto nos faz falta no nosso dia a dia. Que se passa com essa classe? Ela tem tudo para ser vitoriosa e justificada; tem o dom (via seus conhecimentos) de curar varias doenças ou de protelar a vida daqueles portadores de graves e fatais enfermidades; fazem a alegria de vários lares quando ajudam as mães darem à luz, seus queridos bebes; enfim, qualquer classe profissional almejaria ser detentora de dons tão especiais como os que detêm a nossa classe médica. Por que tanto estresse e conflitos afligem esses profissionais?

É bem verdade que têm uma formação longa (seis anos de graduação+cinco de pós) e dispendiosa; será mesmo necessário o médico ter que assumir três empregos para perceber algo que lhe dê o mínimo de dignidade? Seria melhor precaver-se do cansaço e do estresse; terão fundamentos toda essa celeuma que se armou em cima de especialidades menos lucrativas ou menos desgastantes (ex:obstetrícia e pediatria) que tem como repercussão a falta destes importantes especialistas?

Merece considerar o grande numero de processos que ameaçam o medico diuturnamente ou o desapreço por parte da população em relação a esses profissionais, tipo: “só te considero quando de ti preciso” como causa de todo esse desmonte comportamental do profissional médico? Não sei, é muito difícil “dá nome aos bois”; são conjecturas de quem procura entender e sente-se ofendido por ver como a globalização e o imediatismo corroem os valores humanos. São muitas as mudanças impostas e vigentes. Noto, porém que a nossa adaptação a essa nova realidade caminha a passos largos; o médico de hoje cobra mais qualidade de vida e respeito; o jovem médico já não aceita seguir a cartilha dos gestores inescrupulosos como fazíamos nós, no meu tempo. É triste ver o gestor cavar seu próprio abismo quando patrocina ou admite que sob um mesmo teto hospitalar; o médico da especialidade A ou B tenha salário diferente daquele da C ou D; quando sabemos serem todos iguais.

Haveria necessidade de médico brigar por salário quando sabemos que têm compromissos e comportamento a serem honrados? Desculpem a falta de modesta, mas creio que em milhares de circunstancias sejam os médicos: a presença de Deus na esperança dos que sofrem!

Texo publicado no site do Sinmed  dia 06/11/09.

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