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03/03/11

Somente pão é pouco

Por Dr. Seledon Marques

  Pão, no sentido mais completo da palavra, compreende a casa, o carro, o alimento, a saúde, a vestimenta, o estudo, o lazer, o trabalho certo e o salário garantido. Mas somente pão é pouco. Não é suficiente. Fica ainda faltando algo mais

para a completude da vida. É como a gente quando se alimenta bem mas sente que falta algum componente alimentar que traga a sensação agradável de saciedade. Não precisa ser muita coisa porém o suficiente para preencher o vazio que está no estômago e tranquilizar a inquietude que está na "alma".

Não sabemos exatamente quantas e quais são as dimensões da vida: três, quatro, dez dimensões? Apenas percebemos a terceira. Todavia em quantas delas estamos realmente envolvidos, até sem sabermos? Bem, isto por enquanto não sabemos explicar. Ao menos temos consciência de duas delas, genericamente falando: a dimensão material e a dimensão imaterial (espiritual?). A sensação imediata, desprovida duma reflexologia mais aprofundada, é que estaremos muito bem, obrigado, quando tivermos garantida a materialidade das coisas da vida: pão abundante, boa casa, bom carro, elevado estudo, emprego de nível, salário alto, lazer de qualidade.

Aí vem o imbróglio - por que então o homem milionário/bilionário (ou até o alto intelectual), com a certeza das contas pagas e com muita riqueza acumulada, sente-se por vezes insatisfeito, triste, mal humorado, depressivo, com a ligeira sensação de que está lhe faltando alguma coisa? A dura realidade é esta: a riqueza não garante a realização plena interior, e pior ainda a pobreza extrema. Na dúvida é melhor ter do que não ter. Pelo menos termos o mínimo necessário, não o que queremos ou o que sonhamos irracionalmente, imaturamente, sem responsabilidade social. Tal "prosperidade" é egoista, irresponsável, patológica, ostensiva, ignominiosa, petulante.

Dois homens ricos sem paz são necesariamente iguais entre si. Dois homens pobres e sem paz também o são. Porém um homem rico e sem paz comparado a um pobre e sem paz é, com certeza, mais infeliz do que aquele porque sofreu a triste desilusão de descobrir que o que ele supunha fazê-lo completamente feliz foi uma quimera - a riqueza o traiu.

Portanto "nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus" (Mateus 4:4). Aí vem a inquietante pergunta, e qual a palavra que sai da boca de Deus? Com certeza a palavra que sair da boca de Deus será para o bem do que nela acreditar e para o grande e integral crescimento do seu praticante, estabelecendo limites, estimulando avanços e orientando procedimentos: sim, não, espere, siga, trabalhe, estude, creia, melhore, economize, compartilhe, respeite, descanse, viva. Qual o resultado de tudo isto? Quem será o grande beneficiado? O que guardar a Palavra. O que praticá-La. Quais os benefícios prováveis disso? Obviamente que o resultado será, no mínimo, a prosperidade material, a diginidade moral, o preparo intelectual e a paz interior estabelecida. Com toda certeza aquele que palmilhar o caminho certo, primeiro do dever e depois do querer, haverá de colher os frutos, consciente de que "somente pão é pouco". Também precisamos de palavras, incentivos, orientações, estímulos, avisos, correções, limites.

Na realidade estamos precisando de "... religiosidade esclarecida e não alienante" como diz Mario Sergio Cortella em seu livro "Não Espere pelo Epitáfio.

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