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04/03/10

Carta do Sinmed - Aos médicos do comando de greve

Por Dr° Ronaldo Fixina


                                                                                              MAIS UMA GREVE

                GREVE – é uma recusa resultante de acordo de funcionários ( médicos ) a trabalhar, enquanto não sejam atendidos em certas reivindicações.

            Muitos médicos podem deixar de comparecer ao trabalho sem participar de Greve: são os sem concurso; os contratados por indicação política; os contratados por telefone; os com contratos precaríssimos. São os médicos descartáveis. São os médicos com deveres e obrigações e SEM DIREITOS.

            A Lei assegura o direito de greve e nossa GREVE É LEGAL E JUSTA. Tudo estabelecido na forma da Lei.

Vivenciamos mais uma greve em busca de condições de trabalho e melhoria salarial. Por mais atuante que seja o Sindicato, sem consciência  e politização médica , jamais  obteremos o que merecemos em virtude do grau de responsabilidade e complexidade do trabalho médico.

O Sindicato, neste movimento,  faz justas reivindicações: condições técnicas de trabalho, disponibilidade de novos leitos, ampliação do número  de vagas nas UTIs, reajuste salarial e ampliação das equipes médicas. Valorização do trabalho médico.

Por que não adotar políticas públicas de saúde sérias e pagar um salário digno onde o médico tivesse dedicação integral em um só emprego. Tomem como exemplo a magistratura! A ausência de médicos aqui em Mossoró e as escalas incompletas ou vazias é fruto de uma política nojenta e perversa patrocinada pelos governos estadual e municipal. Falta vontade política para proporcionar a resolutividade que tanto esperamos. Essa luta é cruel.

E chega em forma de chacota a proposta da SESAP: 1.500,00 para 20 horas e 3.000,00 para 40 horas. O plenário do Sindicato apresentou uma contra-proposta que prevê um salário básico no valor de 3.500,00 para 20 horas e 7.000,00 para 40 horas. Sem salário digno não espere  encontrar médico  satisfeito em seu trabalho. 

È lamentável o ânimo de parte dos médicos no tocante a participação em movimentos grevistas. Primeiro: o médico acha que ganha bem porque ele finge que trabalha em vários locais.Tem médico que faz cinco plantões noturnos durante a semana. Ele tem uma qualidade de vida péssima.  Segundo: ele não entende que gratificações são engodos. Terceiro: ele pensa que não vai passar necessidade caso sobreviva até a sua aposentadoria. Quarto: Alguns apresentam evidências da Sindrome de Burnout ( esgotamento físico e mental  cuja causa está intimamente ligada a vida profissional )  

O médico deve lutar  pelo novo salário – mínimo pago aos médicos.Um piso salarial justo.   Este é um ano eleitoral.


            O envolvimento e preocupação das autoridades da SAÚDE, e de  entidades ditas representativas dos médicos, possibilitam que a SAÚDE de Mossoró sirva de modelo. Todavia, indagamos: modelo para onde ? Haiti ? África ?

Sobreleva destacar que aqui em Mossoró, toda a Legislação Médica concernente a saúde é descumprida. As UPAS tão elogiadas,  inclusive por representantes médicos  não  tem registro sanitário ou cadastro junto ao  CRM.??? Estranho ?   Talvez não tenha nem mesmo um alvará sanitário  de funcionamento. As UPAS em Mossoró apresentam resolutibilidade quase zero. E o médico que exerce a Medicina em estabelecimento irregular deve pagar anuidade de CRM?

O  Trabalho Médico, mesmo no atual estágio da Medicina, é precário e poucas vozes falam ao nosso favor. A atuação da Delegacia  do Trabalho    contraria os princípios  da eficácia ou eficiência.Médicos continuam  trabalhando  sem  nenhum tipo de contrato. Quanto existe um contrato ele é feito de forma precária e o alienado ( médico ) aceita passivamente.  A investidura em cargo ou emprego público depende de recomendações políticas ou  de telefonemas .E a atuação  daqueles  quem tem o dever de fiscalizar o cumprimento da lei? Ineficiência total. O crime de descontar do salário médico o INSS e não repassar para a Previdência é um absurdo. Isso é lícito ou é uma afronta ?? A Constituição Cidadã ...  A legislação trabalhista aqui em Mossoró é ultrajada. Os  médicos não tem direitos trabalhisticos assegurados. Alguns são impedidos de gozar férias ou de usufruir licença prêmio.

 Vivemos numa época em que o médico  perde paulatinamente todo o respeito, prestigio social e credibilidade pública. Desestimulo total: falta de condições de trabalho, remuneração aviltante para o médico honesto, multi empregos, escalas incompletas ou inexistentes, hospital sem diretores médicos, UPA sem cadastro no CRM ou registro sanitário, longas jornadas de trabalho, atendimento pré-hospitalar de urgência precário, etc, etc.

Vivemos numa época em que todos tem o direito de tentar interferir no trabalho médico ou no ato médico. As salas de cirurgias estão repletas de pessoas estranhas ao serviço  e as bactérias agradecem. É marido, é primo, é vizinho.  Às vezes verdadeiras multidões invadem as salas de cirurgias em forma de “ estágio “.  Todos têm muito direito, exceto o médico. Já existe até calote na forma da Lei...  

Algumas entidades  médicas, deveriam atuar de forma incisiva nas situações fáticas diárias que  prejudicam as atividades laborais médicas E pecam por omissão no dever legal de autoridade.  Realmente uma lástima ou puríssima hipocrisia.

Os princípios de eficiência, de legalidade, moralidade e mesmo o Artigo 196 da Constituição  aqui em Mossoró não tem nenhum  valor. Todavia, atentai para o Modelo da Saúde no Estado e em especial em Mossoró. Uma análise superficial da Saúde:

A Saúde da mulher não é  levada a sério: O PRÉ-NATAL  é pessimamente conduzido  em sua grande maioria. No estágio evolutivo  da obstetrícia, ainda são admitidas na Única Maternidade de Mossoró,  adolescentes grávidas com anasarca e níveis pressóricos 200/120 mmhg. Nem na África existe mais isso.   Falta medicação básica e exames rotineiros. As duas últimas prefeitas de Mossoró  foram mulheres e a atual governadora é mulher. E através de um discurso patético, ridículo AGORA  ameaçam limitar o atendimento obstétrico – o teto financeiro. Agora o lema será.. VÁ PARIR NA P... QUE PARIU.  Somente um grandíssimo  exterminador pode estabelecer um teto financeiro para uma maternidade. Imagine a cena de crueldade e exemplo de administração pública: ( drama da vida 1 )  02:30 chega na recepção da maternidade  uma primigesta gemelar, com pré-eclâmpsia, escotoma e cefaléia procedente de Pilões ou que sabe dos Paredões. O recepcionista explica: Não podemos admitir, o obstetra não pode atender e nem o anestesiologista pode fazer a anestesia. O TETO FINANCEIRO JÁ DESPENCOU !!!! Aqui em Mossoró quem ela procura?  O grande hospital da Mulher ?? As maternidades públicas de Mossoró ? Isso é caso de policia  e rasguem imediatamente a Constituição (  Drama da vida 2 ) 03:00 Saindo de uma festa na Estação das Artes adolescente drogado caiu da moto e foi diagnosticado fraturas graves do cotovelo e do fêmur. Um político consegue a ambulância do SAMU para transferir o paciente para RUSSAS (  realmente isso é o cúmulo da ridicularia... e precisa ser registrado nos anais da Medicina do Estado do Rio Grande do Norte . A Governadora e a Prefeita estão de parabéns ! )       

A assistência durante o parto é precária. As condições higiênicas fazem o complemento  da falta de material e equipamento.    Não há nenhum tipo de fiscalização por parte das entidades ditas fiscalizadoras. Omissão, descaso ... Essa história de agir se existir denúncia é ridícula.

Alguns  obstetras realizam cirurgias  explorando terrivelmente o trabalho das auxiliares de enfermagem , que exercem a função de médico auxiliar . Isso é proibido.  Alguns médicos já  apresentam  deficiência auditiva, visual, etc. Alguns  sofrem com poli artralgia. Outros correm risco de  hipertensão arterial  e no entanto admitem “ operar “ sozinho “ em virtude do aspecto humanístico da profissão.   Parem. Reflitam. Por que os médicos acham que tem que assumir essa responsabilidade que é do município?    São dezenas de cesareanas para um plantonista só. Ninguém, ninguém apresenta nenhuma preocupação com essa situação medieval .

O pagamento do SUS é sempre atrasado e nenhum médico sabe se recebeu o que produziu. Nome da paciente, tipo de atendimento, dia do atendimento....

O berçário... A Uti neo natal... Tudo deficitário. Faltam leitos...Falta até material humano. Quantas vidas ceifadas pela falta de vaga, material, equipamentos...Onipresença.

A pediatria...  Onde existe pediatria ?Uma cidade do porte de Mossoró sem hospital infantil!!!!!! Crueldade total !

E todos sabem que improvisações em medicina são quase sempre fatais. Todos sabem QUE RESIGNAÇÃO é fatal.

A forma precária da logistica das cirurgias ortopédicas. Um paliativo insignificante para a importância desta especialidade e da cidade. Uma cidade da importância de Mossoró sem um hospital especializado em Ortopedia e Traumatologia!!!

NADA, NADA, COISA NENHUMA no universo PODE JUSTIFICAR UMA TRANSFERÊNCIA DE UM PACIENTE DE MOSSORÓ PARA RUSSAS para tratamento de saúde, exceto: subdesenvolvimento, decadência, involução, retrocesso, etc, etc.

A falta de leitos em UTI. A falta de investimento em profissionais médicos através de capacitação e treinamento contínuo.

A quantidade de pacientes ( inclusive  idosos ) que permanecem em macas nos corredores. Ausência de  privacidade, de conforto, de dignidade,  etc, etc, e nunca existiu   nenhum operador do direito que obrigasse  aos gestores da saúde  a providenciar ( contratar )  leitos  na rede privada para internar pacientes das macas ou chão dos corredores.

Em virtude da grandiosidade desta cidade não deveria haver uma só remoção de paciente para Natal, Fortaleza, etc. Não há nenhum investimento futurístico ( grande )  em saúde aqui em Mossoró: Uma maternidade pública, um hospital infantil, uma construção de um hospital ou ampliação do existe para atendimento do politraumatizado. Alguns vão se beneficiar com  mais uma  edificação de UPAS... todavia, as UPAS existentes nem cadastro tem.

Tudo permanece pior que dantes!!!!!!!!!!

O Hospital Regional Tarcisio Maia é o hospital mais importante desta cidade, todavia, nunca  foi feita nenhuma campanha beneficente em prol deste Hospital. Centenas de vidas são salvas nesta unidade todos os dias.

A Maternidade Almeida Castro é a única maternidade existente nesta cidade, todavia, nunca foi feita nenhuma campanha beneficente em prol desta maternidade. Centenas de partos são realizados nesta maternidade todos os dias.

ESTE É UM ANO E L E I T O R A L.

O sindicato faz bem a Saúde dos Médicos. Participe – Não seja omisso. Você é Médico

 

SINDICATO DOS MÉDICOS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE

                                      FEVEREIRO DE 2010  

 

 


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