Por Drº Sebastião Paulino que é ex-diretor do Hospital Walfredo Gurgel (HWG) e ainda servidor da unidade.
"Desconheço a causa; apena vivi as consequências de um sinistro de proporções graves. Como médico plantonista da UTI Geral do HMWG e ex diretor geral da Unidade, apenas recebi a informação de um acidente com 'múltiplas vítimas' que teria acontecido em uma cidade próxima.
Asseguro que em tempo célere, já havia toda uma equipe pronta para acolher as vítimas. Médicos de outras UTIs do citado Nosocômio, todos de prontidão, dirigiram-se para o atendimento emergencial, todos movidos por uma vontade única: 'Preservar vidas e atenuar o sofrimento humano'.
E lá estavam todos, integrando uma equipe completa de profissionais de todas as especialidades, todos solidários com os demais, sem mensurar esforços. Um 'alerta' foi acionado para o SAMU, o que motivou a ida imediata de profissionais que estavam com seus familiares para o merecido descanso noturno, depois de uma jornada extenuante de trabalho.
Não bastasse tanto, outros profissionais que tomaram conhecimento do fato, deslocaram-se para o Hospital com o nobre interesse de integrar a equipe de plantão. Não demorou muito, percebi que o maior Pronto Socorro de nosso Estado, em um dado momento, tinha bem mais profissionais do que doentes. Todos inteiramente preparados para enfrentar mais um desafio.
Aos poucos as primeiras vítimas começaram a chegar. Alguns com agravos preocupantes; outros, nem tanto. Em meio ao choro incontido e diante de tantos gemidos de dor, todos atuavam de forma orquestrada, harmoniosa, instante em que cada profissional já tinha em mente um manual com todas as informações do que deveria fazer.
Todos se faziam entender com um simples olhar. Eram médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, além de maqueiros e demais servidores de todos os níveis. Aos poucos aquele Pronto Socorro foi voltando à sua rotina.
Não demorou muito, percebi que tínhamos vencido mais um embate. Já não havia mais doentes com a necessidade de atendimento emergencial. Todos voltamos para os setores de origem, com a certeza do dever cumprido.
Confesso que revi um filme em minha memória, já pela madrugada, de tudo o que havia presenciado e feito nas primeiras horas da noite. Senti que a emoção estava chegando com uma intensidade bem suportável e fácil de controlar, ao lembrar dos instantes em que uma equipe calejada e tão bem orientada, atuava de forma coesa, em conjunto e com tanta maestria.
Todos estão de parabéns. Pena que tenhamos tão pouca importância para quem lida com as finanças de nosso Estado".

03/02/12 Secretária municipal de saúde, Maria do Perpétuo Socorro, fala sobre uma série de benefícios que não tem sido pago aos profissionais médicos.
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