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11/11/09

Quem pagará essa conta?

Por Dr. Fco Fábio de Araújo Batista

A inoperância paulatinamente vem se apoderando do sistema de saúde publica de nossa cidade. Sabemos que o governo só não tem a saúde da população para cuidar; também há problemas em outros setores. Há, no entanto nesse diverso tabuleiro das questões sociais, um fato novo, que é a turbulência pela qual passa a medicina privada em todo o país. Os médicos já não querem mais atender aos clientes de planos de saúde, alegando os vários retornos praticados nos trinta dias acordados para tal, como também os baixos preços pagos por consultas que variam entre R$25,00 à R$50,00 dependendo da região ou cidade que se queira focar. Há planos de saúde “quebrados” e inadimplentes com os compromissos assumidos com médicos e hospitais; registre-se como agravante, o grande numero de consultórios que fecham mensalmente; os médicos estão se desvinculando dos planos de saúde por se sentirem enganados. Portanto só nos resta reconhecer e aceitar “as mudanças” trazidas pelo o novo século. O médico finalmente reconhece que é um profissional liberal, que vende seus serviços tal qual o faz o cabeleireiro a manicure ou o mecânico de automóveis; nada de “glamour” ou semi Deus como ocorria no passado; à propósito lhes pergunto, quanto custam: um corte de cabelos? Um “trato nas unhas” em Mr. foot; ou 1hs de oficina mecânica? É uma venda de serviço igual a uma consulta médica? Afinal, Quem não deseja um carro novo, um celular de ultima geração, ou viajar? Creio que além de se ter saúde e paz de espírito, viver confortavelmente é um forte motivo para muita gente hoje em dia, trabalhar pesado. Em países do chamado “primeiro mundo”, o salário de um médico oscila entre dezoito e vinte e dois mil dólares mensais; eles normalmente dedicam-se a um só um emprego e aos consultórios (critério opcional); reciclam seus específicos conhecimentos anualmente; todos pagam seguro preventivo às seguradoras, já que são bastante investigados na questão erro médico; trabalham confiantes, têm qualidade de vida. Aqui no Brasil (que ainda não é país de primeiro mundo, mas aspira tal); os novos tempos já trouxeram à classe médica a necessidade de sempre reciclar seus conhecimentos via cursos e congresso, pois a população (via internet) anda bem informada; o numero de processos no CRM investigando prováveis erros médicos, é bastante alto; enfim, uma realidade muito diferente de vinte anos atrás. Fatos como esses, “cobram” um novo olhar da parte do médico sobre sua vida e sua profissão. Surpreendentemente eis que há uma reação bastante positiva e ética por parte dos médicos (principalmente os mais jovens); pois todos estão abolindo a prática de agregar vários “bicos” que pagam “merecas” e cobram muito; prática essa bastante explorada pelo gestor, autoridades ou empresário do ramo da saúde; a “nova ordem” entre os médicos é correr atrás de remuneração digna em um ou dois empregos (no máximo); Talvez a classe médica tenha reconhecido que o serviço que presta à população, não é coisa de terceira categoria, que deva ser praticada em meio a estresse, cansaço ou ansiosamente rápido e mecânico, como foi o comum até hoje; e que aquele médico antigo que usava branco, do qual a população pouco cobrava; e que se sentia lisonjeado com elogios, reverencias ou até um simples “Deus te pagará essa caridade doutor” o emocionava; está em vias de extinção. Cabe ao gestor ou autoridade competente, se conscientizar e absorver a grande mudança ora em curso; reconhecendo essa nova geração de profissionais que têm muito a oferecer, mas que cobra respeito, remuneração digna e tratamento a altura do quanto “ralou” e investiu para chegar a um patamar onde estão todos aqueles que zelam pela aplicação do importante e constitucional direito à saúde; tão indispensável ao saudável funcionamento da sociedade.

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