Médicos denunciam risco de morte e falta de leitos e insumos no Walfredo

12/11/2014

Médicos denunciam risco de morte e falta de leitos e insumos no Walfredo

12/11/2014

Por não mais suportarem a situação, médicos do Hospital Walfredo Gurgel denunciam a total falta de condições de trabalho na maior unidade pública de saúde do estado. Em tom de desabafo, cirurgiões-gerais revelaram nesta quarta-feira (12) ao portalnoar.com que estão faltando quase todos os insumos básicos e que os pacientes acolhidos estão sendo tratados sob risco de morte e de complicações graves.

“Não temos antibióticos específicos, fios cirúrgicos, gases, e máscaras e luvas de procedimentos cirúrgicos. Com isso, os pacientes estão sendo os principais prejudicados neste estado de calamidade total que piorou muito nos últimos seis meses“, afirmou o cirurgião Alexandre Dantas.

Ele acrescenta que falta até mesmo o propé, que tem como finalidade de uso evitar o desprendimento de sujeiras em áreas de procedimento cirúrgico. “ Se isso for denunciado, a Anvisa fecha este hospital”, alertou.

Segundo ele, a denúncia vem sendo compartilhada pelos quinze médicos que se revezam nos plantões diários do hospital que já encaminharam todas as denúncias à direção do HWG e à Secretaria Estadual de Educação (Sesap). “Mas a situação aqui só vem se gravando cada vez”, destacou.

O médico Thiago Oliveira descreve como estarrecedora a colocação de pacientes em estado crítico em dentro do setor de politrauma. “Isso é o mais grave para mim: Colocaram pacientes em um setor que não tem condições de atendimentos, porque não temos leitos de UTI suficientes. “ Desde que estou aqui 100% dos pacientes que foram para este setor morreram. Isso é crime”, sentencia Alexandre Dantas.

Apesar do grave problema, os médicos reconhecem o esforço da direção do hospital e da própria Sesap em amenizar o caos estabelecido nos corredores do hospital. “Nós entendemos que a direção vem tentando resolver esse problema administrativo junto aos fornecedores e a Seplan, mas chegamos a essa tragédia pública por culpa do próprio Governo do Estado”, frisa Dantas.

Ontem (11), o secretário estadual de Saúde Luiz Roberto Leite Fonseca se reuniu com os fornecedores de insumos e medicamentos para discutir a questão do abastecimento da rede hospitalar do Estado.

Na ocasião, o gestor da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) expôs as dificuldades que a rede vem vivenciando, em função da insuficiência dos recursos financeiros, amplamente divulgada pelo Governo do Estado, e destacou o empenho da atual gestão que, mesmo diante da crise econômica, tem buscado oferecer um melhor atendimento à população.

Fonseca admitiu que a falta de autonomia financeira da secretaria estadual de Saúde torna a Sesap totalmente depende de repasses financeiros da Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan) para honrar os compromissos com fornecedores. Segundo o secretário esta é uma das situações mais angustiantes para quem administra um órgão público.

“Não poder planejar os próprios gastos é o mais angustiante da gestão. A autonomia financeira da Sesap deverá ser uma das principais propostas a ser defendida pela próxima gestão da Saúde. Ao assegura o repasse orçamentário regular será possível, ao gestor, equalizar as dívidas existentes. O orçamento precisa ser feito de forma mais realista, sem contingenciamento de recursos. Desta maneira obteremos uma Saúde Pública de melhor nível”, disse o secretário. 

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